sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Câncer de mama

Grande Vitória rosa contra o câncer de mama
O "Outubro Rosa" pretende mobilizar as famílias capixabas quanto ao diagnóstico precoce e prevenção da doença

Por Priscila Bueker (pbueker@eshoje.com.br) / Foto: Divulgação Afecc/Gabriel Lordelo.


Uma doença temida devido o alto grau de incidência e por afetar a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal da mulher. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo desta patologia mais freqüente no mundo. No Brasil são esperados 49.400 novos casos em 2010, com risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres. Para reverter esta triste realidade, o Espírito Santo entra na rota, neste mês de outubro, do combate ao câncer de nana por meio da mobilização social através do "Vendo a vida cor de rosa". O projeto está sendo implementado pela primeira vez no Estado, pela Associação Feminina de Combate ao Câncer (Afecc).

A meta é conseguir que uma pessoa portadora de câncer consiga descobrir sua doença precocemente e tenha chances de tratamento. O projeto faz parte de um movimento mundial que se originou nos Estados Unidos. Quem trouxe para o Brasil foi a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama - FEMAMA. Como estratégia de sensibilização, o evento conta com uma programação extensa no chamado "Outubro Rosa", convidando a família capixaba a abraçar a causa.

Segundo a assistente social da Afecc, Bianca Beraldi Xavier, o "Outubro Rosa" vem alertar não só as mulheres, mas também sensibilizar os homens como os pais de família. "A única maneira de prevenir esse tipo de câncer é realizar exames médicos específicos, como a mamografia e o ultrassom da mama, e fazer o autoexame. É rara a ocorrência do câncer de mama antes dos 35 anos, mas acima desta idade, a incidência dele é rápida e progressiva. O homem também deve ter a preocupação do tratamento, pois ele sempre tem uma mulher que ama, seja mãe, esposa ou até mesmo uma filha adolescente que está tendo o primeiro contato com seu corpo na adolescência", explica a assistente social.

A dona de casa, Luzia Polessa (45), hoje entende o quão importante é ir ao médico e se prevenir quanto ao câncer de mama. Ela, que é solteira e mora com a mãe em Maruípe, Vitória, relata que tirou uma lição desta doença que quase destruiu sua vida. "Ninguém passa ileso por uma experiência tão avassaladora como um câncer de mama. Nenhuma outra situação me revelou tanto a importância de aproveitar as oportunidades que a vida oferece incansavelmente, incessantemente. Estou praticamente curada, mas sofri muito e sempre falo com minhas amigas e vizinhas para se tratarem também. O câncer é uma doença ingrata, mas que pode ser vencida", conta Polessa.

Um mês inteiro de mobilização

Até o dia 31 de outubro, serão realizadas passeatas, seminários e palestras educativas para a população. Monumentos públicos e pontos turísticos da Grande Vitória, como o Convento da Penha, em Vila Velha, já estão iluminados na cor rosa. Nos próximos dias 19 e 20 serão ministradas palestras sobre a saúde feminina e masculina para os funcionários do Hospital Santa Rita de Cássia.

Em Vitória, no dia 24 de outubro será realizada uma caminhada pela vida, com saída da Praia de Camburi na frente do Clube dos Oficiais. Neste mesmo dia acontecerá uma mostra científica sobre "Prevenção e Hábitos Saudáveis", na Praça dos Namorados. Já no dia 30, às 8h, a concentração será na Praia da Costa, em Vila Velha. Os manifestantes vão sair do final da Avenida Champagnat, seguindo até a Praça Duque de Caxias, onde haverá um café da manhã, e distribuição de folhetos educativos e brindes.

"Durante este mês de outubro, as unidades de saúde de Vila Velha e Vitória, por exemplo, realizarão exames preventivos e mamografias gratuitos. A campanha não é de arrecadação de fundos e sim de prevenção e educação. O câncer que, se diagnosticado precocemente, é uma doença curável, ainda mata muitas pessoas no Brasil por falta de informação, serviços de saúde eficientes e políticas públicas de saúde que realmente funcionem. Se conseguirmos que cada mulher procure o médico para fazer exames periódicos e tirar suas dúvidas já vamos nos sentir vitoriosos. A mobilização social pode transformar essa realidade, para isso é importante que a população esteja engajada", esclarece Bianca Beraldi Xavier.

A assistente social da Afecc explica que, para dar um novo colorido à cidade e fazer da Grande Vitória uma região consciente quanto à doença, é essencial que os órgãos governamentais e empresas, além da própria população se "vistam" de rosa de corpo e alma. Serão vendidas a R$ 5, pulseiras da campanha e a R$ 10,00 o kit com a camisa e o boné que podem ser adquiridos no Bazar da Afecc, localizado no próprio Hospital Santa Rita, em Vitória.



Histórico familiar e menstruação tardia são fatores de risco

Apesar de toda a informação e das boas chances de cura, ainda há muito estigma em torno do câncer de mama. Os mitos em torno da doença podem prejudicar o diagnóstico precoce. O mastologista, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Roberto Filassi, diz que o primeiro passo é atentar-se para o histórico familiar que é um importante fator de risco. E que, se o parentesco for de primeiro grau (mãe ou irmã) a atenção deve ser redobrada.

"Comprovado mesmo, é que, se alguém na sua família já teve, é ainda mais importante ficar atenta aos exames preventivos. Outros fatores são a idade acima de 40 anos, a primeira menstruação antes dos 11 anos ou a menopausa tardia, após os 55 anos. Além disso, as gestações tardias, após os 30 anos, e a nuliparidade, ou seja, o fato de não ter tido filhos, também ampliam os riscos para a mulher ser uma portadora da doença", explica o mastologista do Icesp.

Filassi esclarece que, ao contrário do que muitos pensam, o câncer de mama não dói. Os sintomas da doença são: nódulo ou "caroço" na mama ou na região da axila, secreção com sangue pelo mamilo, inchaço e vermelhidão e alteração da forma ou tamanho da mama, além do seu endurecimento da mama (casca de laranja). "O principal problema do câncer de mama não seria nem a falta de informação, mas o fato de nossa sociedade ainda ser machista. Neste cenário, fica difícil para a mulher aprender a se tocar para identificar um nódulo, por exemplo", diz Filassi.

O mastologista diz que a mulher precisa se atentar para os três procedimentos básicos, de igual importância, utilizados na detecção do câncer de mama: o auto-exame, a consulta ao médico a mamografia. De acordo com Filassi, o auto-exame das mamas é muito simples. A melhor época para fazê-lo é alguns dias (5 a 7 dias) após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, o auto-exame deve ser feito num mesmo dia de cada mês.

Por último, o mastologista diz que apesar do auto-toque ser importante, nem todos os nódulos são detectáveis por meio deste diagnóstico. Então, é crucial que a mulher faça o exame preventivo da mamografia com a periodicidade necessária uma vez ao ano a partir dos 40 anos e, em casos de histórico familiar, o exame deve ser feito a partir dos 35 anos.



Fonte:
http://www.eshoje.com.br/portal/leitura-noticia,inoticia,6655,grande+vitoria+rosa+contra+o+cancer+de+mama.aspx

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